Li um texto da Danuza Leão, publicado na Vogue de agosto, que ficou fresco na minha cabeça até hoje. E olha que estamos quase em outubro! Vale a pena ler o texto inteiro, mas não poderia deixar de publicar alguns trechos aqui, já que sempre levei a máxima "Menos é Mais" bem a sério.
"Pouco antes de embaracar para a Espanha, eu havia jantado com os príncipes Thereza e João de Orléans e Bragança. Quando contei para onde ia, me disseram para procurar a sobrinha deles, Maria da Glória. Essa sobrinha foi casada com um príncipe iuguslavo, e havia contraído segundas núpcias com o duque de Segorbe, título dos mais importantes da Espanha. Ela me telefonou e convidou para almoçar no dia seguinte. A casa era maravilhosa, cheia de pátios, azulejos e fontes, e fui recebida pela pessoa mais simpática e mais simples que pode haver. Tão simples como se fosse uma tia minha, do Espírito Santo. Usava um vestido de algodão estampadinho, uma sandália que já devia ter vivido vários verões, nada de grifes.
Uma empregada serviu um gazpacho e outro prato que já esqueci. Tomamos um vinho normal, e a sobremesa, um tipo de manjar, era tão gostosa, mas tão gostosa, que quando lembro ainda fico com água na boca (como agora). Elogiei o manjar, que merecia mesmo todos os elogios do mundo, e quando me despedi, Gola, que sabia que eu estava sozinha na cidade, perguntou se eu não queria voltar para almoçar - mais gentil, impossível.
O segundo almoço foi em outra sala. Começamos com o mesmo gazpacho da véspera, e quando chegou a hora da sobremesa veio o mesmo manjar - pela metade, pois eram sobras do dia anterior. Gola explicou: "Você gosotu tanto que guardei o resto para que comesse hoje". Aí fiquei pensando nas peruas brasileiras - será que alguma delas seria capaz de servir um manjar pela metade a uam convidada? Claro que não; fariam uma sobremesa nova, sem jamais imaginar que esse gesto foi o máximo da gentileza, e que essa segurança, naturalidade e simplicidade só existem em pessoas,sejam elas ricas ou pobres, muito nobres".
Preciso dizer mais alguma coisa? Fica aí o recado. Bom mesmo seria se essa mulherada endinheirada que enriqueceu da noite para o dia (sorte a delas, não é defeito ser rica!) deixasse a ostentação de lado e desse, pelo menos, uma passada de olhos nesse texto.


OI muito obrigado pela visita!!!
ResponderExcluirvolte sempre!
bjos
;)